quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Meio milhão têm acesso à boa alimentação



Entre 2004 e 2009, mais de 500 mil pessoas deixaram a zona de Insegurança Alimentar (IA) no estado do Ceará, ou seja, passaram a ter acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente. A constatação aparece em levantamento feito pelo Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece) com base em dados contidos na Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar (PNAD) que contemplou o tema Segurança Alimentar nos anos de 2004 e 2009.

A notícia é boa, pois significa que houve uma queda de 13,29% no número de domicílios no Ceará que, em 2004, estavam nesta situação, colocando o estado no 13º lugar entre os que registraram melhor desempenho na redução desse índice. No entanto, o desempenho do Ceará é considerado mediano em relação a outros estados brasileiros e fica em 6° lugar numa comparação com outros estados do Nordeste (Ver tabela).

Ainda há muito o que fazer, afirma o diretor geral do Ipece, Flávio Ataliba Barreto, já que 48,31% dos 2.395 domicílios pesquisados no estado ainda se encontram em situação de Insegurança Alimentar. Ataliba diz que praticamente todos os estado do país apresentaram alguma redução – apenas seis não confirmaram esse desempenho. São eles Sergipe (54,67%), Mato Grosso do Sul (16,94%), Goiás (9,81%), Rondônia (5,59%), Amapá (3,82%) e Amazonas (3,21%). “Alguns estados reduziram sua IA mais rápido do que outros. Em 2004, o Ceará contava com 55,71% dos domicílios pesquisados pelo PNAD em situação de Insegurança Alimentar. Em 2009 esse índice era de 48,3% o que representa meio milhão de pessoas”, reforça.

Se observado o ranking dos estados com melhor redução do índice de IA em 2009, o Ceará está em 4º lugar entre as piores situação dentre as unidades federativas. Segundo Ataliba, os programas de transferência de renda não são determinantes para que as pessoas saiam da situação de IA. Isso porque falta à população orientação na hora de adquirir os melhores alimentos, ou seja, elas têm mais renda mas continuam se alimentando mal.

Raça e Cor

No Ceará, em 2009, o índice de IA moderada ou grave entre pessoas negras e pardas foi de 29,40% enquanto entre a população branca chegou a 21,54%, A redução em relação a 2004 foi de 9,49 pontos percentuais e 6,43 p.p., respectivamente.

Está sendo discutido no Ipece, com o consentimento do governador Cid Gomes, a viabilidade do Ceará ter um levantamento próprio, com informações semelhantes ao do PNAD, mas sobre os municípios cearenses. “Seria uma pesquisa anual, usando a mesma metodologia e suporte. Minha esperança é a de que já tenhamos em 2012 esse levantamento. O governador está interessado”, diz o diretor geral do Ipece.

Márcia Dutra, da Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social do Ceará, diz que o estado está se preparando para ter uma Lei Orgânica de Segurança Alimentar. “A proposta já está no gabinete do governador para ser assinada. A lei possibilita não só a captação de recursos para as ações, mas para o desenvolvimento das políticas na área”, conclui.

Fonte:Jornal o povo.